terça-feira, 18 de novembro de 2008

Anotações para próximo encontro em 20.11.2008

Capítulo 05:
Informando o estudo: alguns aspectos-chave da revisão de textos teóricos
Como fundamentar os estudos na pesquisa pedagógica além das leituras?
Discussão via internet (Troca de correios eletrônicos com pessoas identificadas com a pesquisa,
Websites de interesse pessoal).
forma “convincente” para os professores buscarem inspiração e feedback para projetos.
Pesquisas em sites pessoais de pesquisadores ou de departamentos de educação dos governos.
Recurso valioso para transmitir a informação.
Discussão em intercâmbios locais (entre escolas e grupos de estudos, palestras e eventos de desenvolvimento profissional).
Discussões em conferências, seminários.
Estabelecer contatos valiosos, com potencial para auxiliar a fundamentação da pesquisa em andamento.
Uso de textos convencionais ou on-line para fundamentar o estudo:
A leitura para tomar conhecimento de outras pesquisas importantes na área (tema de pesquisa)
Objetivo: informar-se sobre o que os outros pesquisadores declaram saber sobre uma questão ou problema.
Verificar o que já é conhecido sobre o assunto e poupar o tempo, buscando uma “novidade”.
Repetir um estudo já realizado em nova situação ou contexto
Buscar uma nova abordagem do problema.
A leitura fundamenta os conceitos nos quais nosso estudo se baseia.
Objetivo: construir conceitos claros e coerentes que baseiem os dados coletados por meio de ferramentas e procedimentos e apontem como os dados devem ser medidos e analisados.
A leitura de trabalhos realizados a partir de perspectivas teóricas diferentes.
Oferece opções de pesquisa desconhecidas e proporciona a chance de aprofundamento da compreensão e posição teórica que se sentem comprometidos.
A leitura de relatos de projetos e métodos de pesquisa, ferramentas e procedimentos de coleta de dados, análise e interpretação de dados.
Buscar referencial teórico sobre como realizar o encaminhamento de uma pesquisa seguindo determinada metodologia. É extremamente “pragmática”. Há descrições sobre modelos, técnicas de coleta e de análise de dados. “é importante ler a respeito para tomar decisões fundamentadas”. “Consultar a bibliografia sobre opções de análise de dados, no início do estudo, alerta o pesquisador para habilidades adicionais que ele possa precisar desenvolver, a fim de analisar os dados eficientemente”. A leitura deve permitir que tenhamos a possibilidade de defender nosso conjunto de coleta de dados, ferramentas e procedimentos de análise, em relação a nossa questão de pesquisa.
A quantidade de leituras para fundamentar um estudo deve considerar três fatores:
A) Responsabilidade técnica e profissional com os sujeitos da pesquisa, o que significa produzir um estudo que justifique a boa vontade dos envolvidos. - a leitura deve garantir coerência e significado. - ler o suficiente para tornar a pesquisa genuína, confiável, válida e dentro do rigor científico necessário. “Quando se pode definir a coerência e o rigor do estudo em relação a seus propósitos, é porque se leu o suficiente”.
B) Os pesquisadores são responsáveis por garantir que os resultados obtidos por meio do estudo justifiquem a sua realização. Esta relação se chama “sustentabilidade”. “Um estudo bem construído, cuja fundamentação possa vir a corroborar para uma inovação no ensino, ou mesmo uma simples alteração de currículo no âmbito de uma sala de aula, de maneira a aumentar suas probabilidades de sucesso, em nossa opinião, é um estudo que tem responsabilidades sustentáveis”. O estudo deve ser digno de CRÉDITO. Como? Metodologia apurada, coerente, teoricamente relevante (pertinente e útil). Em sintonia com o conhecimento que circula entre educadores (área).
C) Os conhecimentos adquiridos devem ser valiosos pessoalmente ou para avanços profissionais.
Quantificação: Dificilmente há um estudo digno sem a leitura de pelo menos três livros e 15 artigos ou capítulos pertinentes.
Localizando a bibliografia relevante
Catálogos das bibliotecas: Geralmente os assuntos são muito mais gerais que o objeto de estudo, nestes casos, é preciso dentre os resultados da busca identificar as fontes pertinentes ou se não encontra resultados, buscar um assunto próximo ou correlato.
Palavras-chaves são palavras centrais ao conteúdo de um recurso. São apontadas pelo autor pois “captam” melhor o assunto da obra. Sob o ponto de vista do buscador, palavra-chaves boas são aquelas que proporcionam o máximo de informações precisas sobre um determinado texto.
Sites de busca
Bancos de dados específicos
Índices de citação: “recursos destinados a proporcionar um guia que remete a autores conceituados e obras publicadas”. “se um pesquisador localizar uma fonte e quiser saber como seu autor é 'considerado' no campo, ele pode consultar um índice de citação e verificar se o autor foi citado nos anos precedentes, com que frequência e por quem”. - auxilia um pesquisador a perceber onde os autores estão posicionadas em um campo, além da forma, intensidade do debate, questões -chave, perspectivas e abordagens.
Como ler os recursos que localizamos
Fundamentar o estudo é essencial para basear as decisões que tomamos a respeito da nossa pesquisa. Uma leitura envolvida em uma pesquisa de boa qualidade é: ativa, crítica, distintiva, avaliativa, metódica.
Ler ativamente: Significa atuar sobre o texto, envolver-se, fazer anotações, redigir comentários, realizar associações entre diferentes partes do texto.
Ler criticamente: Criar questionamentos, anotar argumentos que não ficam claros ou sem fundamentação apropriada, anotar posicionamentos pertinentes ou relacionar o ponto de vista dos autores.
Ler para distinguir comparar: Diferenciar pontos de vista, procedimentos, resultados, interpretações, entre outros. Comparação entre diferentes estudos sobre a mesma área de interesse.
Ler de um ponto de vista avaliativo: Identificar pontos fortes e fracos para aprender com os trabalhos já existentes, aperfeiçoando seus pontos fracos e evoluindo a partir de seus pontos fortes.
Ler metodicamente: Abranger o campo pertinente, alocar o tempo de forma apropriada (dividir o tempo disponível para diferentes aspectos da pesquisa) e fazer registros.
Organizando informações com origem na leitura:
Utilização de fichas de arquivo ou outro sistema que permita: facilidade de manejo, construção e uso.

Patrícia Meyer

ENCONTRO DO DIA 13.11.2008 - Capítulo 04: Abordagens gerais para a pesquisa

Capítulo 04:
Abordagens gerais para a pesquisa
- Pesquisa baseada em documentos
- Pesquisa quantitativa
- Pesquisa qualitativa
- Pesquisa de métodos mistos
Pesquisa baseada em documentos
Dados a serem coletados já existem em documentos disponíveis
Exemplos: trabalhos teóricos, arquivos históricos, súmulas, manuais, regulamentos, arquivos de jornais, correspondências etc.
Proporção bastante significativa da pesquisa educacional acadêmica é documental.
A pesquisa documental é especialmente conveniente para alguns tipos de questões ou quando já há abundante pesquisa no assunto.
Pesquisa documental versus revisão de literatura: De uma forma restrita a pesquisa documental está presente na revisão literária de qualquer tipo de estudo, entretanto, a pesquisa documental implica em uma série de técnicas de análise, interpretação e manejo de dados.
A revisão fundamenta a pesquisa, dando qualidade e tornando-a útil. Nos dá consciência do que devemos evitar em uma pesquisa, evitar a “reinvenção da roda”. Podemos identificar lacunas, alertar para novas abordagens e aspectos, ponto de partida para estruturar a nossa pesquisa, realizamos distinções, associações e selecionamos o que é mais pertinente, formulação de conceitos e teorias que darão base aos estudos.
Formas gerais de pesquisa baseada em documentos: “descobrir o atual estado do conhecimento e identificar a principal vantagem de um dado problema, tem ou questão”. - Implica elaboração de resumos, exposições de pontos de vista, comparações, perspectivas entre outros. Avaliação de argumentos, ponderar evidências, análise temática e de conteúdo. Há diferenças substanciais nos procedimentos e tarefas envolvidos em uma revisão literária e uma pesquisa documental.
Formas especializadas de pesquisa baseada em documentos: Análise de discurso crítica, mais específica e especializada que os procedimentos analíticos empregados em uma revisão padronizada de teoria. - Pesquisa baseada em documentos está crescendo devido à Internet, entretanto a pesquisa documental não é menos rigorosa e exigente que os demais tipos de pesquisas.
O papel e o local da teoria nos projetos de pesquisa baseados em documentos
“as teorias de que nos valemos influenciam, em primeiro lugar, a maneira como usamos os dados existentes nos documentos para encaminhar nossa questão de pesquisa e o que nós consideramos relevantes nesses dados”.
Além de contarmos coma teoria para guiar nossa pesquisa bibliográfica, podemos também realizar pesquisa documental, visando aprimorar ou criticar a teoria já existente. Ou seja, em vez de tomar o que está estabelecido pela teoria existente, como a base para desenvolver uma pesquisa empírica, o pesquisador pode usar a base já existente para buscar modificar a teoria. - Nossa pesquisa também pode contribuir para melhorar a teoria que a baseou.
Pesquisa quantitativa
Procedimentos- definições precisas e métodos objetivos (coleta e análise) – resultados (sistemáticos e cumulativos) confirmados ou não – conhecimento útil. Qualquer coisa de interesse dos pesquisadores sociais pode e deve ser mensurada. O conhecimento útil sobre as regularidades que existem no mundo pode ser gerado pela oerta de informações quantificáveis - das amostras podem inferir características desconhecidas de populações mais amplas.
3 condições: medir variáveis, teste de teorias e hipóteses anteriores, amostras significativas para gerar inferências que podem ser generalizadas.
“Processo de controle de variáveis que visa testar objetivamente alguma teoria”
Variáveis (aquilo que pode mudar ou variar dentro do contexto ou escopo da pesquisa) – podem ser dependentes ou independentes. “a qualidade das conclusões em pesquisa quantitativa depende da perícia do pesquisador para medir as variáveis de interesse”.
Objetividade (distanciamento – afastar suposições e “paixões”). Minimizar a subjetividade e predisposição (desconhecer sujeitos da pesquisa, por exemplo).
Testagem de teoria ou hipóteses - A hipótese de pesquisa declara o resultado esperado do estudo, considerando os fundamentos dados pela teoria e pela revisão do pesquisador à produção textual acadêmica. A hipótese nula não estabelece relação entre itens, processos. O pesquisador apresenta esta hipótese apenas para testar e espera rejeitar. A rejeição em uma hipótese nula dá apoio para a formulação de uma hipótese de pesquisa.
Estatística e significado da estatística (maneira útil de matematicamente classificar, organizar e resumir as informações).
Validade do estudo: validação interna (extensão em que resultados são precisos e verdadeiros) e externa ( julgar em que medida os dados obtidos podem ser estendidos as outras populações, condições ou ambientes similares – capacidade de generalização)
Controle de variáveis assegura maior validade interna: pesquisador identifica elementos-chave dos problema, isola e desenvolve estratégias para testá-los. Outra forma é a distribuição dos participantes em grupos e condições.
Pesquisa qualitativa
Pouco uso de formas de análise estatísticas. Entretanto, os instrumentos de coleta de dados podem ser usados ocasionalmente. - Não pressupõe grandes amostras (não tem em vista representatividade de grandes populações), ao contrário da pesquisa quantitativa que se preocupa em estabelecer relações causais, a pesquisa qualitativa tem o intuito de identificar “como as pessoas experimentam, entendem, interpretam e participam de seus mundos social e cultural”.
Atenção aos dados que podem ser coletados em ambientes naturais oud a vida real.
Os métodos de coleta de dados compreendem especialmente: observações de práticas reais ou eventos reais ou registros.
Os pesquisadores qualitativos visam coletar dados que sejam CONTEXTUALIZADOS. - Que levam em conta o tipo de escola, comunidade, época, contexto, cidade, entre outros.
“É claro que os pesquisadores qualitativos também coletam dados em contextos sociais diferentes daqueles que são de principal interesse do estudo. Isto é especialmente verdade com relação às entrevistas em que, por exemplo, um professor ou um aluno podem ser ouvidos na sala dos professores ou em casa, sobre aspectos da atividade em sala de aula. Entretanto, a questão aqui é de a qualidade e a confiabilidade dos dados não é diminuída (e pode ser aumentada), coletando-os fora do contexto imediato que está sendo investigado”.
Investigação e/ou sobre contextos da vida real: Pesquisadores querem entender o mundo sob a perspectiva de outras pessoas. A pesquisa qualitativa proporciona descrições ricas e detalhadas de pessoas em ação, programas em específico ou práticas sociais. CONTEXTOS (soma total da dedução de significado, práticas sociais, negociações sociais, interações e referências a outros contextos e ventos que moldam o sentido a ser colhido de um dado ou idéia)
A ênfase na interpretação e na dedução de significado: As descrições na pesquisa qualitativa são sempre interpretadas a partir de alguma postura teórica ou normativa/ideológica. - A pesquisa pode, mais do que refletir ou revelar uma realidade, construí-la.
O papel do pesquisador na pesquisa qualitativa:Muita atenção ao papel do pesquisador (menor objetividade). O pesquisador é considerado como um instrumento de coleta de dados. “os valores, as suposições, as crenças e o conhecimento do pesquisador sobre um tópico informarem diretamente sobre o tipo de dados coletados e como eles devem ser relatados”. - Influência da postura do pesquisador.
Pesquisa de métodos mistos
Se refere a estudos que incluem elementos dos métodos qualitativo e quantitativo em seus projetos
Nem todos os projetos ou estruturas teóricas permitem metodologia mista.

Patrícia Meyer

ENCONTRO DO DIA 30.10.2008 - CAPÍTULO 3 FORMULANDO NOSSOS PROPÓSITOS DE PESQUISA: PROBLEMAS, QUESTÕES, INTENÇÕES E OBJETIVOS

ENCONTRO DO DIA 30.10.2008
Dia: 18 de novembro de 2008 – mandar email
Próximo encontro: Nara
Coordenadora: Renata
Formulando nossos propósitos de pesquisa: problemas, questões, intenções e objetivos.
Dimensões:
Internas: processo reflexivo que se movimenta entre considerações correspondentes ao problema.
Externas: envolve a movimentação em direção a resolver este problema (coleta de dados, consulta a fontes, etc.)
O processo não deve ser linear, deve ser sim flexível. O problema não pode ser fechado e pronto.
Propósito da pesquisa
Problema
Intenção
Objetivo
Problema:
Existencial: Surge de uma situação que oferece dificuldade ou perplexidade. Incomodo.
Epistemológico: Problema como algo tratado, resolvido tentando-se entender ou conhecer a situação.
(Separação Didática)
Tipos de problema: teórico, ético e prático.
Teórico: Busca de informações sobre o problema. Ex: Pesquisa da Legislação que dá condições aquela situação.
Estudo das bibliografias sobre o assunto.
Prático: Observação de situações, conversa e entrevistas, questionário com os envolvidos no problema: Ação, Intervenção.
Ético: Observação do cenário em que a situação ocorre verificando se atinge a todos os envolvidos. Eqüitativo e justo. Quem está sendo afetado por esta situação.
Necessidade de se usar a observação e a pesquisa.
A questão da pesquisa
Encarar problema como algo que precisa ser resolvido. Em primeiro momento temos um problema-questão geral e a medida que a pesquisa vai acontecendo surgem outros problemas mais específicos.
Questão Geral – Questões Norteadoras (hipóteses de trabalho)
Hipóteses de trabalho (será que?)
Hipótese não pode ser usada em pesquisa qualitativa. Hipóteses são relacionadas a pesquisa quantitativa.
Digressões:
- Relação entre desenvolver questões de pesquisa de boa qualidade e ter um foco genuíno no problema.
- Maneira como entendemos e formulamos nossas questões de pesquisa, em relação aos diferentes tipos de pesquisa, em relação aos diferentes tipos de investigação que realizemos como professores.
Cuidado ao aliar as técnicas de pesquisa com o objetivo que eu pretendo atingir.
Os objetivos são construídos a partir da intenção. Os objetivos são a operacionalização das intenções.

Sirley Golemba Costa